Vi um pedaço de "Laranja Mecânica" ontem antes de ir dormir e pensei no desmonte progressivo, lento, gradual e irrestrito das cadeias, da polícia e da legislação penal no nosso bananão. A criminalidade tem crescido em Curitiba e região metropolitana alarmantemente - quem vive aqui há tempo tem notado isso. Há uma paralisação de 24 horas da Polícia Civil programada para, se não me engano, semana que vem - um protesto contra os equipamentos precários, salários e condições de trabalho ruins etc. Há um rumor de que a ordem em vigor dentro da PM é, nos finais de semana, tirar as viaturas da rua, já que é confusão demais para contingente de menos. Esse estado de coisas causa indignação nas vítimas eventuais - parentes e agregados de vítimas de latrocínios - e nas vítimas que sobrevivem a assaltos e outros tipos de crimes. De resto, é assim que a banda toca, e pouco resta a fazer. São Paulo, o estado com maior número de presos e com a polícia mais eficiente (uma relação de causa e efeito, como qualquer chimpanzé é capaz de intuir) do país já foi taxado de "estado fascista" justamente por conta disso - esses são os tempos em que vivemos.
Tempos de sugestões, partidas do governo, como a de liberar de pena os "pequenos traficantes" como uma solução mágica para os problemas do Rio de Janeiro. E tais sugestões não geram maiores discussões do que em algumas caixas de comentários de alguns blogs (certamente não deste), embora sejam de um absurdo evidente.
O ECA, cuja única utilidade prática é transformar crianças e adolescentes em super-criminosos, imunes à aplicação de pena e aptos a voltar a delinquir em pouquíssimo tempo, nunca foi discutido seriamente. Há um ou outro arroubo de indignação quando um crime especialmente bárbaro é cometido por um adolescente (vide Champinha). Aqui em Curitiba, nos últimos dias, houve uma seqüência de latrocínios cometidos por adolescentes - mas não se fala a respeito porque latrocínio já não é mais um crime que desperte assim tanta inquietude. 1) "É simplesmente mais um risco a que qualquer morador de cidades médias e grandes está submetido"; 2) "é culpa da vítima, já que certamente quem cometeu o crime o fez por "razões sociais", das quais a vítima é protagonista"; 3) "é tudo culpa da igreja católica, por introduzir idéias de "castigo" e "culpa" das quais, devido a centenas de anos de opressão, não conseguimos nos livrar"; 4) "mais escolas, menos cadeias!"; 5) "o morro vai descer, mano, e o bicho vai pegar!".
Há ainda outras tantas respostas possíveis. Se resignar - muitos anos ouvindo o mantra "jamais reaja", um estatuto do desarmamento e dois governos do PT depois, é muito difícil pensar e se adestrar para qualquer outra coisa - é a primeira delas. O homem médio, de fato, nada pode fazer: resta-lhe andar na rua com atenção redobrada, e já que não há meios de reagir, tentar ao menos antever as circunstâncias. Pessoalmente, creio já ter me safado de ser assaltado por andar atento na rua - na verdade, nunca vou saber, mas não abandono o hábito e a consciência situacional (outra utilidade oculta de jogos de tiro no PS2).
Nas universidades federais, diretórios estudantis, nos fóruns sociais e botecos brasil afora há outras respostas. Misturam, via de regra, as constatações surradas de que o crime sempre tem um pouco de culpa da vítima, que o criminoso só o comete porque "não tem opção", que a existência de leis e cadeias é uma coisa lamentável, uma "imposição cristã" desnecessária e castradora etc. [Nunca, jamais, uma menção a escolhas individuais, responsabilidade por essas escolhas, e às regras da vida em sociedade e punições, de todos conhecidas, correspondentes a suas infrações.]
Raramente presenciei algum raciocínio desses sendo levado até o fim: bom, se leis e cadeias são um "ranço cristão", substituí-las pelo que? Aliás, minto: já ouvi - perplexo - uma utopia que propunha uma divisão geográfica na qual todas as pessoas pudessem fazer aquilo que gostam: haveria distritos para homicidas, pedófilos, estupradores, assassinos seriais; mas também gente que quisesse apenas cultivar uma horta, andar de bicicleta, fazer artesanato. Sementes, arados e correias de bicicleta são fáceis de achar; vítimas voluntárias de homicídio e estupro, creio, um pouco mais raras. Quando perguntei como solucionar este problema, o utopista, claro, não soube o que dizer.
As respostas mirabolantes - como a lei dos "pequenos traficantes" - ganham cada vez mais força. Mas a que se prestam? Quem (fora o próprio criminoso) ganha com isso? Considerando a larga vantagem da qual quem opta pelo crime já goza - uma largada com enorme vantagem, propiciada pela polícia metade cúmplice, metade sucateada e inútil, judiciário capenga, falta de vagas na cadeia etc. - porque, afinal, querem criar mais outras?
Não sei, mas uma coisa é certa: isso é essencial para a revolução silenciosa que está em curso. O criminoso comum já não é mais isso - ele é um revolucionário. Pela lógica do racioncínio revolucionário, não existe crime comum: todo e qualquer crime é de classe, e alguns - vários - nem crime são (embora a lei diga que sejam).
Mensalão, desvio de recursos, putarias administrativas em geral: são feitas "em prol da causa", não são crime.
Latrocínio, roubo, invasão e destruição de propriedade privada: são crimes "de classe", logo, crimes políticos - não são cometidos por criminosos, mas por "resistentes", "guerrilheiros".
Veja o tal do Batistti: um homicida comum, que praticou crimes comuns [em uma democracia, em nome da implantação de uma ditadura comunista]: foi condenado à prisão perpétua na Itália, mas, no brasil, é um herói.
Googleie "Lovecchio" e "bomba", ou veja o artigo da wikipedia em português para um exemplo parecido e mais local.
Sobre o MST, então, é desnecessário comentar.
É o avesso do avesso. Quanto mais a criminalidade cresce e fica a vontade, mais sugestões de abrandamento das leis penais surgem - saindo da cloaca do próprio ministro da justiça. O que já é ridiculamente frouxo e condescendente - as leis atuais - tende a ficar ainda mais frouxo e condescendente. E digo que já é porque limitar a prisão de assassinos contumazes a 30 anos (embora a pena ultrapasse, digamos, os 300) de cana, sob pretextos "humanistas", é de uma imbecilidade atroz, só explicada por uma ingenuidade inexplicável (quando a lei foi criada e se acreditava em um "poder regenerador" das universidades do PCC/CV/TC/ADA) e, hoje, por um esquema ideológico maligno e sutil, que recrutou todos os criminosos do país sem que estes sequer saibam. São idiotas úteis, soldados do exército do foro de são paulo - e se fossem "apenas" do contingente que recebe bolsa-qualquer-coisa em troca de votos, menos mal: o problema é que estes não estão tão interessados em votar, e carregam fuzis e o desassombro atávico ou ingerido pelo nariz que lhes transformou na vanguarda insuspeita da revolução, derrubando helicópteros do "sistema", fazendo segurança das obras do PAC e, o mais importante, servindo de lembrete para os "opressores" nesse novo tipo de "guerra fria de classes" que está em curso.
A soma do ECA com a lei que o governo pretende emplacar sobre "pequenos traficantes" é explosiva. Será criado o maior exército de "aviõezinhos" que este país já viu. Somando a imunidade garantida para os "dimenor", já prevista pelo ECA, com a aliviada para o "pequeno traficante" e a ocupação terá grandes atrativos: bons ganhos, pouco risco, e a possibilidade de ascenção rápida na carreira. Foi pego uma vez, duas, três? Não tem problema: você deixa de ser "pequeno traficante", mas, condenado a 15, vai cumprir 6, sair antes disso para o semi-aberto, pegar um indulto de natal e nunca mais voltar - e aí você já é dono do morro, derruba helicóptero e domina a "comunidade" como se fosse um senhor feudal. E, agora, além disso tudo, você é útil ao regime, serve a um propósito maior e mais nobre do que sentar no topo do morro usando nike shox e empunhando uma uzi dourada - e se o seu propósito for apenas sentir a "adrena" de cometer crimes, ou o prazer de matar inocentes, não tem problema: você também é útil, é também um guerreiro de classe do grande exército popular do foro de são paulo.
"Quem poupa o lobo sacrifica as ovelhas", mas os revolucionários são sofisticados. Além de poupar o lobo, o domesticaram - e o transformaram em um dos braços - o mais armado e perigoso - da revolução, o carcereiro do resto da sociedade.
Deus nos ajude.
sexta-feira, 13 de novembro de 2009
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
Pato laqueado de Beijing
Tenho até hoje guardada a edição extra de Veja que circulou quando o Collor foi deposto: a capa é o Collor de frente, cabeça gomalinada baixa e a manchete em letras vermelhas e garrafais: CAIU!
O melhor texto daquela edição é de Roberto Pompeu de Toledo, tirando sarro de todas as bravatas e gabolices do ex-presidente, como pilotar uma ferrari e reclamar que ela estava "puxando para a esquerda" para o piloto de testes da fábrica, posar de fotógrafo de flores do cerrado, pular de blindados do exército totalmente fardado (a la Jobim), entre outros episódios pitorescos. Jamais pensei que fosse dizer isso, mas que saudade daquela época: porque eu era mais novo, ainda não embrutecido pela vida, claro, mas porque projetos malucos de poder de gente obcecada duravam pouco.
Talvez porque não fossem tão bem elaborados.
No texto de Pompeu é narrado o episódio, que já ficou famoso, do malsinado brinde feito em Pequim, em volta de um pato laqueado, pelos futuros artífices da "Repúlica de Alagoas" - Renan Calheiros, o próprio Collor, se não me engano o "regenerado" Cláudio Humberto e outros. O texo situa o ocorrido como uma espécie de pedra fundamental do malogrado projeto de poder de Collor e seus acólitos - talvez não tão malogrado assim, talvez não malogrado at all.
Lembrei disso lendo as repercussões da mesada que Lula ganhou por ser "perseguido político", porque lendo isso lembrei de ter lido em algum lugar a história sobre, em algum bar de São Bernardo do Campo, a estrela do PT ter sido desenhada por algum acólito de Lula em um guardanapo.
Provavelmente houve algum brinde - talvez não "ao futuro presidente da república", mas algo parecido, quem sabe até "à futura nova classe" que eles pretendiam implantar, não com essas palavras, mas com essa intenção. Foi um projeto de poder muito mais bem engendrado e profissional. Podiam até estar bêbados, mas tinham muito mais determinação que o grupo reunido em Pequim - ali, creio que foi mais uma bravata que acabou funcionando do que qualquer outra coisa. O esquema que derrubou Collor foi típico de arrivistas baratos, não se sustentava - ele não conseguiu completar o mandato. Lula ruma para o terceiro.
Perdeu diversas eleições, mas nunca desistiu. A persistência e a paciência fazem lembrar o resoluto Hitler do putsch - o cabo bávaro, afinal, foi eleito.
Nunca antes na história deste país um projeto de poder foi tão arraigadamente implantado. Lula é a maior unanimidade da história do Brasil. Getúlio foi responsabilizado por um assassinato e o clima ficou insustentável - e ele saiu da vida para entrar na história. Há 7 cadáveres ligados às maquinações da eleição de Lula, e sua popularidade só cresce.
Collor, alguns gostam de dizer, caiu por causa de uma Elba - um mensalão, uma venda da varig, um mst arregado e tantas outras putarias franciscanas depois, e a popularidade do Lula só cresce.
Muitos se preocupam em entender e explicar esse fenômeno: o "presidente teflon", o "presidente pobre" que vingou todos os miseráveis ao se apossar da máquina e da chave do cofre, e a agir como um Robin Hood simbólico: ele rouba apenas para ele e seus "compadres", mas é como se roubasse para todos os pobres, fazendo justiça a "500 anos" de qualquer coisa. E coroa tudo com o perdão a todas as roubalheiras flagradas cabalmente: "pobre quando come melado se lambuza".
O pato laqueado de Collor e o guardanapo de boteco de Lula são dois marcos simbólicos, talvez, da mesma coisa. Como o nazismo serviu de precursor do comunismo, talvez o pato laqueado tenha servido para abrir caminho para os novos níveis de esculhambação e estupro da nação que vemos hoje. Não há uma área sequer da atuação estatal que não esteja contaminada por esculhambação oceânica, o que é salvaguardado, basicamente, por dois "argumentos": PAC/Bolsa Família/Social e "isso sempre foi assim". A diferença é o apego dessa gente à teta. Antes, parecia haver uma noção de finitude e certos pruridos. Hoje, não há mais prurido nenhum. Pelo contrário.
O achaque público dos fabricantes de aviões de caça é um bom exemplo da loucuragem que se instalou. Adhemar de Barros era de fato um amador. O que se vê hoje é uma mistura do "rouba, mas faz" com o "estupra, mas não mata" e a ética sindical.
Não é nenhum segredo: petistas, comunistas, socialistas e associados não são diferentes de outros postulantes inescrupulosos ao poder. A grande vantagem competitivas deles é a perfeita cortina de fumaça da qual dispõe: salvar os pobres, dividir as riquezas, "o social". E isso é o salvo-conduto para a estalinização geral. Até expurgos estalinistas tivemos - até que alguém explique o que aconteceu no caso Celso Daniel, é exatamente o que parece. A sindicalização do estado é outro problema: foram desmontados alguns dos poucos órgãos estatais que funcionavam bem e eram estritamente técnicos e funcionavam com base em uma idéia de excelência: o Itamaraty, o IPEA e outros. Viraram grandes sindicatos. Nunca fomos a melhor das meritocracias, mas a noção ainda não estava perdida. Perdeu-se.
No museu da república, daqui a muitos anos, o pato laqueado estará ao lado do guardanapo de boteco com o símbolo do PT, em uma vitrine sobre o "quarto reich" brasileiro e a sovietização não tão dissimulada do país.
O melhor texto daquela edição é de Roberto Pompeu de Toledo, tirando sarro de todas as bravatas e gabolices do ex-presidente, como pilotar uma ferrari e reclamar que ela estava "puxando para a esquerda" para o piloto de testes da fábrica, posar de fotógrafo de flores do cerrado, pular de blindados do exército totalmente fardado (a la Jobim), entre outros episódios pitorescos. Jamais pensei que fosse dizer isso, mas que saudade daquela época: porque eu era mais novo, ainda não embrutecido pela vida, claro, mas porque projetos malucos de poder de gente obcecada duravam pouco.
Talvez porque não fossem tão bem elaborados.
No texto de Pompeu é narrado o episódio, que já ficou famoso, do malsinado brinde feito em Pequim, em volta de um pato laqueado, pelos futuros artífices da "Repúlica de Alagoas" - Renan Calheiros, o próprio Collor, se não me engano o "regenerado" Cláudio Humberto e outros. O texo situa o ocorrido como uma espécie de pedra fundamental do malogrado projeto de poder de Collor e seus acólitos - talvez não tão malogrado assim, talvez não malogrado at all.
Lembrei disso lendo as repercussões da mesada que Lula ganhou por ser "perseguido político", porque lendo isso lembrei de ter lido em algum lugar a história sobre, em algum bar de São Bernardo do Campo, a estrela do PT ter sido desenhada por algum acólito de Lula em um guardanapo.
Provavelmente houve algum brinde - talvez não "ao futuro presidente da república", mas algo parecido, quem sabe até "à futura nova classe" que eles pretendiam implantar, não com essas palavras, mas com essa intenção. Foi um projeto de poder muito mais bem engendrado e profissional. Podiam até estar bêbados, mas tinham muito mais determinação que o grupo reunido em Pequim - ali, creio que foi mais uma bravata que acabou funcionando do que qualquer outra coisa. O esquema que derrubou Collor foi típico de arrivistas baratos, não se sustentava - ele não conseguiu completar o mandato. Lula ruma para o terceiro.
Perdeu diversas eleições, mas nunca desistiu. A persistência e a paciência fazem lembrar o resoluto Hitler do putsch - o cabo bávaro, afinal, foi eleito.
Nunca antes na história deste país um projeto de poder foi tão arraigadamente implantado. Lula é a maior unanimidade da história do Brasil. Getúlio foi responsabilizado por um assassinato e o clima ficou insustentável - e ele saiu da vida para entrar na história. Há 7 cadáveres ligados às maquinações da eleição de Lula, e sua popularidade só cresce.
Collor, alguns gostam de dizer, caiu por causa de uma Elba - um mensalão, uma venda da varig, um mst arregado e tantas outras putarias franciscanas depois, e a popularidade do Lula só cresce.
Muitos se preocupam em entender e explicar esse fenômeno: o "presidente teflon", o "presidente pobre" que vingou todos os miseráveis ao se apossar da máquina e da chave do cofre, e a agir como um Robin Hood simbólico: ele rouba apenas para ele e seus "compadres", mas é como se roubasse para todos os pobres, fazendo justiça a "500 anos" de qualquer coisa. E coroa tudo com o perdão a todas as roubalheiras flagradas cabalmente: "pobre quando come melado se lambuza".
O pato laqueado de Collor e o guardanapo de boteco de Lula são dois marcos simbólicos, talvez, da mesma coisa. Como o nazismo serviu de precursor do comunismo, talvez o pato laqueado tenha servido para abrir caminho para os novos níveis de esculhambação e estupro da nação que vemos hoje. Não há uma área sequer da atuação estatal que não esteja contaminada por esculhambação oceânica, o que é salvaguardado, basicamente, por dois "argumentos": PAC/Bolsa Família/Social e "isso sempre foi assim". A diferença é o apego dessa gente à teta. Antes, parecia haver uma noção de finitude e certos pruridos. Hoje, não há mais prurido nenhum. Pelo contrário.
O achaque público dos fabricantes de aviões de caça é um bom exemplo da loucuragem que se instalou. Adhemar de Barros era de fato um amador. O que se vê hoje é uma mistura do "rouba, mas faz" com o "estupra, mas não mata" e a ética sindical.
Não é nenhum segredo: petistas, comunistas, socialistas e associados não são diferentes de outros postulantes inescrupulosos ao poder. A grande vantagem competitivas deles é a perfeita cortina de fumaça da qual dispõe: salvar os pobres, dividir as riquezas, "o social". E isso é o salvo-conduto para a estalinização geral. Até expurgos estalinistas tivemos - até que alguém explique o que aconteceu no caso Celso Daniel, é exatamente o que parece. A sindicalização do estado é outro problema: foram desmontados alguns dos poucos órgãos estatais que funcionavam bem e eram estritamente técnicos e funcionavam com base em uma idéia de excelência: o Itamaraty, o IPEA e outros. Viraram grandes sindicatos. Nunca fomos a melhor das meritocracias, mas a noção ainda não estava perdida. Perdeu-se.
No museu da república, daqui a muitos anos, o pato laqueado estará ao lado do guardanapo de boteco com o símbolo do PT, em uma vitrine sobre o "quarto reich" brasileiro e a sovietização não tão dissimulada do país.
quarta-feira, 7 de outubro de 2009
Jogue "Conflict: Vietnam"
Poucos são os filmes "clássicos" sobre a guerra do Vietnam que exploraram as sensações do soldado raso em patrulha na selva tão bem quanto "Platoon". No início, logo após o desembarque do protagonista, uma coluna se desloca pela mata fechada - realmente fechada. Há diversas camadas de copas de árvores que formam um "teto" natural na floresta, transformando-a em uma verdadeira estufa e dando aos dias uma característica penumbra, e em certos trechos verdadeira escuridão, mesmo com o sol a pino. Essa cobertura propiciava perfeita camuflagem para os deslocamentos dos vietcongs - e toda a história da campanha de bombardeio e do uso de desfolhantes (agente laranja etc.) encontra aí a sua origem. Além do inimigo (charlie), havia outros adversários tão perigosos quanto ele: a selva e o clima. O verdadeiro "inimigo", aliás, era a combinação destes três elementos. As cenas de combate do já mencionado Platoon são bastante eloquentes: é MUITO difícil enxergar um soldado inimigo atirando em você em uma selva fechada e escura. Fora o clarão do disparo, tudo se confunde em um emaranhado verde-castanho de milhões de tonalidades misturadas, o zumbido de bilhões de insetos e os movimentos peristálticos da selva.
Além de poucos filmes e livros realmente bons que tratam exatamente disso, há também alguns jogos de PS2 - especialmente "Conflict: Vietnam". O jogo não é novo: é de 2004, e tem suas limitações. A jogabilidade é um pouco confusa - como, de resto, em qualquer jogo no qual além de propriamente jogar, controlando um persoangem, você ainda precisa dar ordens a outros componentes do seu grupo. No caso do "Conflict", você integra um grupo de 4 soldados, cuja composição é basicamente a mesma de um time de LRRP´s, mas reduzida a quatro integrantes, cada um de uma especialidade e carregando um tipo diferente de armamento. Aliás, o equipamento que cada personagem carrega é variado e farto: granadas de fumaça colorida, de fósforo e minas "claymore" são alguns dos itens mais icônicos da guerra do Vietnam que estão a disposição do jogador. Além disso, facas "k-bar", binóculos e bandagens completam o equipamento, além do armamento principal, geralmente uma arma longa (fuzil, espingarda ou metralhadora) e outra curta (pistola). Um dos personagens, o "Ragman" (aparentemente o líder da equipe), carrega uma submetralhadora e uma escopeta, ideais para combates a curta e média distância. Outro, um negro chamado "Junior" (mas com o caráter muito melhor que o personagem homônimo de "Platoon") carrega um fuzil M-14 (aquele do treinamento em "Full Metal Jacket" - "I don´t want no teenage queen, I just want my M-14!") com mira telescópica e uma pistola com silenciador. Há ainda o médico - apelidado de "Cherry", porque acabou de chegar dos Estados Unidos - armado com o bom e velho M-16 e com um suprimento extra de bandagens para remendar os colegas, e, finalmente, Hogg, que maneja a arma mais popular e querida dos soldados, a metralhadora M-60.
A jogabilidade é um um pouco trabalhosa. Particularmente, nunca me adaptei muito bem a jogos em que é necessário, além de atirar e se movimentar, dar ordens a outros personagens. Em "Conflict", alem de dar diversos tipos de ordens - parar, acompanhar, abrir fogo, cessar fogo, se dirigir a um determinado local e fazer um curativo em um companheiro ferido, entre outros - a um ou aos outros três soldados, é possível controlar qualquer um deles, o que é essencial para o andamento do jogo, já que sempre antes de "morrer", o personagem atingido criticamente tem um determinado tempo para receber tratamento do colega mais próximo - que passa a ser controlado pelo jogador caso isso aconteça.
Para desfrutar todas as possibilidades de "Conflict", é interessante controlar bem o sistema de ordens e controle dos personagens, o que certamente facilitará a vida do jogador e o progresso nas missões. Contrariamente a maioria dos jogos semelhantes, os outros personagens tem boa mira e não chegam a atrapalhar. Eu tendo a ignorá-los e me concentrar em progredir ao longo do mapa - e talvez por isso tenha empacado logo na terceira ou quarta missão.
Há um bom sistema de evolução dos personagens, por meio de pontuação adquirida de acordo com o desempenho de cada um deles nas missões. Os pontos podem ser gastos em habilidades de combate tais como manejo de fuzis, pistolas, granadas, desarme de armadilhas etc.
As missões tem sempre objetivos primários, secundários e bônus. Na primeira fase, um breve tutorial, o objetivo bônus, por exemplo, é levar uma garrafa de uísque adquirida no "PX" ao sargento encarregado do estande de tiro. Nesse quesito, "Conflict" tem alguns elementos de "GTA" e "Godfather": andando na base, é possível interagir com outros soldados e ouvir histórias sendo contadas em rodas de conversa ao longo do perímetro.
E se a jogabilidade é complicada no que diz respeito a controlar o esqudrão, é generosa quanto ao controle do personagem: embora visualizado durante a maior parte do tempo em "terceira pessoa", há um modo "primeira pessoa" com as miras da arma, o que é essencial para quem se acostumou com Medal of Honor e Call of Duty - além de indispensável para poder tirar partido do fuzil de precisão carregado por Junior. Aliás, o manejo das armas é bastante realista: no caso do "sniper", a mira varia conforme a respiração do personagem; os lança-foguetes M-72 por vezes encontrados durante as missões têm o característico atraso entre apertar o gatilho e o disparo, além de outros detalhes.
E, como a guerra na selva travada no Vietnam, o jogo é difícil. Os cenários são bem reproduzidos e camuflam muito bem o inimigo - reproduzindo a confusão visual das cenas já mencionadas em "Platoon" e outros filmes. Aliás, a evolução dos gráficos é digna de nota. Quem jogou " Vietnam", jogo que rodava com o engine do antigo "Doom", entenderá o que eu quero dizer. E o combate é realista: ficar parado equivale a morrer rapidamente. Talvez mais do que em qualquer outro jogo de tiro que eu tenha jogado, a regra de "fogo e movimento" é de observância obrigatória para que se consiga completar as missões.
Dentre os três jogos de Vietnam que encontrei para PS2, "Conflict: Vietnam" é o mais divertido, e recomendado entusiasticamente para quem se interesse por aquele peculiar conflito no sudeste asiático.
Além de poucos filmes e livros realmente bons que tratam exatamente disso, há também alguns jogos de PS2 - especialmente "Conflict: Vietnam". O jogo não é novo: é de 2004, e tem suas limitações. A jogabilidade é um pouco confusa - como, de resto, em qualquer jogo no qual além de propriamente jogar, controlando um persoangem, você ainda precisa dar ordens a outros componentes do seu grupo. No caso do "Conflict", você integra um grupo de 4 soldados, cuja composição é basicamente a mesma de um time de LRRP´s, mas reduzida a quatro integrantes, cada um de uma especialidade e carregando um tipo diferente de armamento. Aliás, o equipamento que cada personagem carrega é variado e farto: granadas de fumaça colorida, de fósforo e minas "claymore" são alguns dos itens mais icônicos da guerra do Vietnam que estão a disposição do jogador. Além disso, facas "k-bar", binóculos e bandagens completam o equipamento, além do armamento principal, geralmente uma arma longa (fuzil, espingarda ou metralhadora) e outra curta (pistola). Um dos personagens, o "Ragman" (aparentemente o líder da equipe), carrega uma submetralhadora e uma escopeta, ideais para combates a curta e média distância. Outro, um negro chamado "Junior" (mas com o caráter muito melhor que o personagem homônimo de "Platoon") carrega um fuzil M-14 (aquele do treinamento em "Full Metal Jacket" - "I don´t want no teenage queen, I just want my M-14!") com mira telescópica e uma pistola com silenciador. Há ainda o médico - apelidado de "Cherry", porque acabou de chegar dos Estados Unidos - armado com o bom e velho M-16 e com um suprimento extra de bandagens para remendar os colegas, e, finalmente, Hogg, que maneja a arma mais popular e querida dos soldados, a metralhadora M-60.
A jogabilidade é um um pouco trabalhosa. Particularmente, nunca me adaptei muito bem a jogos em que é necessário, além de atirar e se movimentar, dar ordens a outros personagens. Em "Conflict", alem de dar diversos tipos de ordens - parar, acompanhar, abrir fogo, cessar fogo, se dirigir a um determinado local e fazer um curativo em um companheiro ferido, entre outros - a um ou aos outros três soldados, é possível controlar qualquer um deles, o que é essencial para o andamento do jogo, já que sempre antes de "morrer", o personagem atingido criticamente tem um determinado tempo para receber tratamento do colega mais próximo - que passa a ser controlado pelo jogador caso isso aconteça.
Para desfrutar todas as possibilidades de "Conflict", é interessante controlar bem o sistema de ordens e controle dos personagens, o que certamente facilitará a vida do jogador e o progresso nas missões. Contrariamente a maioria dos jogos semelhantes, os outros personagens tem boa mira e não chegam a atrapalhar. Eu tendo a ignorá-los e me concentrar em progredir ao longo do mapa - e talvez por isso tenha empacado logo na terceira ou quarta missão.
Há um bom sistema de evolução dos personagens, por meio de pontuação adquirida de acordo com o desempenho de cada um deles nas missões. Os pontos podem ser gastos em habilidades de combate tais como manejo de fuzis, pistolas, granadas, desarme de armadilhas etc.
As missões tem sempre objetivos primários, secundários e bônus. Na primeira fase, um breve tutorial, o objetivo bônus, por exemplo, é levar uma garrafa de uísque adquirida no "PX" ao sargento encarregado do estande de tiro. Nesse quesito, "Conflict" tem alguns elementos de "GTA" e "Godfather": andando na base, é possível interagir com outros soldados e ouvir histórias sendo contadas em rodas de conversa ao longo do perímetro.
E se a jogabilidade é complicada no que diz respeito a controlar o esqudrão, é generosa quanto ao controle do personagem: embora visualizado durante a maior parte do tempo em "terceira pessoa", há um modo "primeira pessoa" com as miras da arma, o que é essencial para quem se acostumou com Medal of Honor e Call of Duty - além de indispensável para poder tirar partido do fuzil de precisão carregado por Junior. Aliás, o manejo das armas é bastante realista: no caso do "sniper", a mira varia conforme a respiração do personagem; os lança-foguetes M-72 por vezes encontrados durante as missões têm o característico atraso entre apertar o gatilho e o disparo, além de outros detalhes.
E, como a guerra na selva travada no Vietnam, o jogo é difícil. Os cenários são bem reproduzidos e camuflam muito bem o inimigo - reproduzindo a confusão visual das cenas já mencionadas em "Platoon" e outros filmes. Aliás, a evolução dos gráficos é digna de nota. Quem jogou " Vietnam", jogo que rodava com o engine do antigo "Doom", entenderá o que eu quero dizer. E o combate é realista: ficar parado equivale a morrer rapidamente. Talvez mais do que em qualquer outro jogo de tiro que eu tenha jogado, a regra de "fogo e movimento" é de observância obrigatória para que se consiga completar as missões.
Dentre os três jogos de Vietnam que encontrei para PS2, "Conflict: Vietnam" é o mais divertido, e recomendado entusiasticamente para quem se interesse por aquele peculiar conflito no sudeste asiático.
quarta-feira, 16 de setembro de 2009
OUR MOTTO IS: APOCALYPSE NOW
Café da manhã? Apocalypse now.
"Saigon. Shit, I´m still only in Saigon. Everytime I think I´m gonna wake up back in the jungle..."
Que graça pode ter algum filme de guerra depois desse? Talvez o Ryan, pela abertura e pela aparência magnífica, a areia grudada na lapela de uma autêntica farda ranger, a textura da tinta nos capacetes, e recuo dos fuzis, aquela cena em que o protagonista vê as comodidades do QG (café, sanduíche, um sujeito fazendo a barba) enquanto explica o quanto passou o horário de expediente se fodendo. E a parte do disco da Edith Piaf. Tem diálogos ótimos. "Tora, Tora, Tora" é quase um documentário. O mais longo dos dias só vale pelo Duke. "Iron Cross" é bom, mas autoral demais...as partes em câmera lenta e os devaneios não colam tão bem. Dos novos, "Black Hawk Down" é excelente. "Platoon" é um filme versátil sobre a guerra do Vietnam, e "Full Metal Jacket" é um soco no estômago.
Mas "Apocalypse Now" está em outro patamar. É doido demais. É a adaptação de "Despachos do Front" para o cinema. Já se tem uma idéia da loucura pela cena logo no começo, com o Indiana Jones nervoso tentando explicar a um capitão das forças especiais os motivos de uma missão muito louca - "charging a man with murder was like handing speeding tickets in the Indy 500". "Coração das Trevas" já é um puta livro, misturado com "Despachos" vira uma espécie de napalm cinematrogáfico, gasolina gelatinosa na película, que não gasta nunca. É uma porrada sempre. A guerra do Vietnam gerou três obras psicodélicas da mais alta qualidade. "Apocalypse", "Dispatches" e um quadrinho chamado "Guerra de Luz e Trevas". Diz que até hoje se tropeça em cápsulas de bala de fuzil, pistola, canhão, restos de helicópteros Huey e bobardeiros B-52 no interior do Vietnã. Não tem uma guerra com histórias mais improváveis. A história da guerra da criméia é sobre a carga da cavalaria ligeira. Das guerras napoleônicas, waterloo, a retirada da rússia, o egito. Peloponeso, guerras púnicas, Anibal cruzando os alpes com elefantes etc. - nada supera o soldado amaericano chapado, vagando de helicóptero sobre a selva tropical, ouvindo Hendrix, um destacamento de 10 forças especiais e 300 montagnards em um morro, cercados, lurps e a air cav, saigon...shit.
A versão do diretor funciona bem na primeira vez, e nas subsequentes parece que sobram algumas coisas. A parte com os franceses dá uma matada no andamento do filme, é quase um "intermission" como há em "Patton". A parte das coelhinhas dentro do helicóptero podia durar um pouco menos. Mas, no conjunto, continua matador. O que tem a mais com o Kurtz vale cada centavo.
São poucos os filmes para se agradecer. Esse é um deles. Nas resenhas falam em ser o filme mais "anti-bélico" de todos os tempos. Mas é mais do que isso. Desperta "instintos primitivos", como diria o Roberto Jefferson: ao mesmo tempo, a glória e o horror da guerra, em uníssono com o tom de "Despachos". O mensagem subliminar é a seguinte: é impossível descrever a guerra sem glorificá-la. É impossível sentir apenas nojo.
É um lugar comum dizer "assista Apocalypse Now", então direi "assista Apocalypse Now redux".
"Saigon. Shit, I´m still only in Saigon. Everytime I think I´m gonna wake up back in the jungle..."
Que graça pode ter algum filme de guerra depois desse? Talvez o Ryan, pela abertura e pela aparência magnífica, a areia grudada na lapela de uma autêntica farda ranger, a textura da tinta nos capacetes, e recuo dos fuzis, aquela cena em que o protagonista vê as comodidades do QG (café, sanduíche, um sujeito fazendo a barba) enquanto explica o quanto passou o horário de expediente se fodendo. E a parte do disco da Edith Piaf. Tem diálogos ótimos. "Tora, Tora, Tora" é quase um documentário. O mais longo dos dias só vale pelo Duke. "Iron Cross" é bom, mas autoral demais...as partes em câmera lenta e os devaneios não colam tão bem. Dos novos, "Black Hawk Down" é excelente. "Platoon" é um filme versátil sobre a guerra do Vietnam, e "Full Metal Jacket" é um soco no estômago.
Mas "Apocalypse Now" está em outro patamar. É doido demais. É a adaptação de "Despachos do Front" para o cinema. Já se tem uma idéia da loucura pela cena logo no começo, com o Indiana Jones nervoso tentando explicar a um capitão das forças especiais os motivos de uma missão muito louca - "charging a man with murder was like handing speeding tickets in the Indy 500". "Coração das Trevas" já é um puta livro, misturado com "Despachos" vira uma espécie de napalm cinematrogáfico, gasolina gelatinosa na película, que não gasta nunca. É uma porrada sempre. A guerra do Vietnam gerou três obras psicodélicas da mais alta qualidade. "Apocalypse", "Dispatches" e um quadrinho chamado "Guerra de Luz e Trevas". Diz que até hoje se tropeça em cápsulas de bala de fuzil, pistola, canhão, restos de helicópteros Huey e bobardeiros B-52 no interior do Vietnã. Não tem uma guerra com histórias mais improváveis. A história da guerra da criméia é sobre a carga da cavalaria ligeira. Das guerras napoleônicas, waterloo, a retirada da rússia, o egito. Peloponeso, guerras púnicas, Anibal cruzando os alpes com elefantes etc. - nada supera o soldado amaericano chapado, vagando de helicóptero sobre a selva tropical, ouvindo Hendrix, um destacamento de 10 forças especiais e 300 montagnards em um morro, cercados, lurps e a air cav, saigon...shit.
A versão do diretor funciona bem na primeira vez, e nas subsequentes parece que sobram algumas coisas. A parte com os franceses dá uma matada no andamento do filme, é quase um "intermission" como há em "Patton". A parte das coelhinhas dentro do helicóptero podia durar um pouco menos. Mas, no conjunto, continua matador. O que tem a mais com o Kurtz vale cada centavo.
São poucos os filmes para se agradecer. Esse é um deles. Nas resenhas falam em ser o filme mais "anti-bélico" de todos os tempos. Mas é mais do que isso. Desperta "instintos primitivos", como diria o Roberto Jefferson: ao mesmo tempo, a glória e o horror da guerra, em uníssono com o tom de "Despachos". O mensagem subliminar é a seguinte: é impossível descrever a guerra sem glorificá-la. É impossível sentir apenas nojo.
É um lugar comum dizer "assista Apocalypse Now", então direi "assista Apocalypse Now redux".
sexta-feira, 11 de setembro de 2009
Os caças franceses
Já se disse em todos os jornais que o governo fez uma grande "lambança" por antecipar o resultado da concorrência para substituição dos aviões de caça da FAB. Já apareceram todos os tipos de respostas de vários assessores do nosso timoneiro analfabeto - uns tentaram apaziguar, outros deram razão a ele, e esculhambaram de vez: a escolha não será técnica, mas política.
É ingenuidade, penso, imaginar que um negócio de bilhões de dólares se resolve apenas com fundamentos técnicos. Claro que há política envolvida. Mas, no estado de indigência geral em nos encontramos, é um tipo de política mais afeta às delegacias de polícia do que aos salões governamentais. E não estou dizendo que é um "caso de polícia"...bom, é um caso de polícia, mas da nossa polícia tupiniquim, em que quase tudo se resolve em uma boa "conversa" na delegacia.
Na verdade, o Lula não adiantou o resultado da concorrência, ele simplesmente achacou os concorrentes (franceses incluídos) publicamente. O tom da coisa me lembrou um pouco aquela cena do Poderoso Chefão II em que o senador de Nevada tenta achacar o Michael Corleone - sendo que para o que ele queria nem seria necessário pagar propina.
No nosso caso, é mais complicado. Alguns dos acólitos do apedeuta já se apressaram a explicar que, por mais que seja proferida (e será, é pra isso que serve a concorrência instaurada pela FAB) uma decisão técnica, por especialistas, sobre qual dos aviões concorrentes é o mais adequado, a decisão final é "política". E quem profere a decisão política? Ele, o gangster-mor.
Então o recado dado no dia da independência foi: "quem pagar a maior propina, leva o contrato". É simples assim, e o vagabundo não se constrangeu de praticar o achaque em cadeia nacional de televisão - pelo contrário, era essa mesmo a idéia. Uma das desculpas, rapidamente deixadas de lado, é a de que os americanos e suecos não seriam tão "parceiros" para liberar a transferência de tecnologia, o que é uma grande mentira. A transferência de tecnologia já havia sido autorizada pelo senado dos EUA, e a informação não tem nada de secreta: em qualquer banca de jornal é fácil de encontrar a revista "Força Aérea", que circula a cada dois meses e tem notícias sobre o mercado de defesa. É escrita por especialistas em geopolítica, história militar, ex-militares etc., e é um dos melhores (senão único) jeitos de acompanhar as notícias sobre assuntos como essa concorrência. Há uns dois meses comprei a penúltima edição na banca do aeroporto de goiania, e li a entrevista com um alto executivo da Boeing acerca da concorrência, transferência de tecnologia etc. A proposta é tão boa quanto qualquer outra: abertura dos códigos-fonte dos softwares do avião, frabicação de partes e talvez até montagem final no Brasil e várias outras coisas das quais não lembro agora. Não havia qualquer restrição - e considerando o flerte constante do Brasil com Líbia, Cuba e outras ditaduras, é realmente de se admirar. No contexto, a oferta americana não é simplesmente um agrado comercial, mas ganha importância estratégica na medida em que eles sabem que, se não oferecerem o pacote completo, não apenas deixam de vender os aviões: perdem progressivamente a presença no Brasil, e o Brasil se aproxima cada vez mais de tiranias comunistas, islâmicas e, agora, da França, especialista em perder guerras por W.O.
Seja como for, me parece que ninguém (fora os integrantes do PT e a corte apedeuta, claro) discutiria que a escolha deve ser pelo melhor avião, e ponto final.
"Melhor" não apenas em termos absolutos, desses que se consulta em cartas de Super Trunfo, mas também mais adequado às necessidades do Brasil - e isso significa várias coisas. Deve ser um avião com boa autonomia, porque o país é grande; deve ser de manutenção simples, porque o país é pobre; deve ter uma capacidade razoável de ser empregado em vários tipos de missão, também porque o país é pobre; não basta comprarmos o avião: precisamos de peças de reposição, simuladores, armamento compatível, precisamos treinar pilotos e mecânicos, e conhecer profundamente a aeronave: para isso a transferência de tencologia é fundamental, porque se um computador de bordo ou radar dá problema, não dependemos do fornecedor para consertar. O avião mais adequado às necessidades do Brasil já foi rifado na primeira "pré-seleção", era o Sukhoi Su-35, avião de grande autonomia e carga bélica, apto a desempenhar vários tipos de missão e altamente manobrável. Não é um projeto tão novo quanto o do Rafale, mas comporta modernizações e, para que se tenha uma idéia, a Força Aérea Russa ainda os estará recebendo até 2015.
Dos que sobraram, o F-18 é o mais adequado, porque foi concebido para operações embarcadas, e é muito resistente, tendo o dobro da vida útil quando utilizado em pistas de pouso convencionais. Carrega o radar mais avançado e capaz da atualidade, e é uma plataforma verdadeiramente multi-missão, o que também é uma imposição do projeto. Quem encomendou o F-18 foi a marinha americana, que depois de muitos anos operando diversos tipos diferentes de avião para cada tipo de missão, percebeu que estaria condenada ao sucateamento se não racionalizasse a manutenção das aeronaves. A resposta intuitiva é a padronização: um tipo de avião para todas as missões, o que significa uma mesma prateleira de peças de reposição, um único tipo de combustível, o mesmo simulador etc. Além disso, o F-18 é testado em combate e produzido em larga escala, inclusive para outros consumidores além dos EUA.
O Rafale é produzido muito lentamente, porque só a França utiliza o avião, e é de fato uma aeronave avançada e capaz, mas que ainda não foi testada como o F-18. Além disso, é muito caro: custa quase o dobro do F-18, e também é mais caro que o Saab Gripen.
Por último, o avião que definitivamente não serve para a Força Aérea Brasileira, o Saab Gripen. É a primeira aeronave de "quarta geração", mas foi concebida tendo a defesa aérea da Suécia em mente - fronteiras muito mais próximas, extensões territoriais pequenas etc. O projeto é orientado para as necessidades suecas, e produzido de acordo com elas. Tem autonomia muito pequena, e a versão oferecida ao Brasil ainda nao está em produção.
Fica a pergunta: escolher esses aviões é uma decisão técnica ou política? Digamos que a Força Aérea conclua pelo F-18. Qual critério "político" ou "estratégico" recomendaria que o Presidente da República decidisse por outro concorrente? O apedeuta já disse que é uma "decisão política". Claro que, se for pressionado por algum jornalista mais chato, vai dizer que tem que valorizar a parceria com a França, que já estão fazendo vários negócios, que querem unir esforços, que somos "povos muito parecidos" (?!?!?!) e tudo mais. Mas isso não responde a uma pergunta: os aviões servem para defender o país de uma agressão. Embora ela pareça improvável agora, é sempre possível, e só convém abolir as forças armadas quando todos os outros países o fizerem. A pergunta é: se e quando o país for atacado, vamos defendê-lo com política ou com os aviões?
Não precisa ser bidu para saber a resposta. Se isso acontecer um dia, quero muito que seja quando o "uneducated marxist drunk" ainda esteja por aí, de preferência como presidente (ou, até lá, vá saber, ditador) para presenciar os efeitos de sua escolha "política". Parece bobagem, mas pense no seguinte: você vai instalar um sistema de alarmes na sua casa. Vai escolher qual: o melhor que tem ou aquele que seu amigo está vendendo, embora esse não seja tão bom? Isso, é claro, pensando honestamente.
No caso dos aviões é diferente. O apedeuta não é responsável só pela compra do alarme pra proteger ele, a esposa, as garrafas de cachaça e as latas de cigarrilhas: pra isso, tem alguém pra escolher por ele e nós para pagarmos a conta.
Ele tem é a chave do cofre e a falta de pudor no exercício de suas prerrogativas que o tornam exatamente igual a um delegado de polícia corrupto desses que grassam nas delegacias do Brasil. Ao deixar de ser técnico e passar a ser político, ele age igualzinho ao delegado sujo: não pela Lei, mas pela "política", que é, nesse caso, um eufemismo cansado para negociata - o que, admita-se, não é monopólio do PT; o partido simplesmente sistematizou a institucionalizou a prática sob a disfarce da revanche e da figura do "pobre-quando-come-melado-se-lambuza".
Enfim, o episódio todo só confirma a vocação nacional para a mediocridade e a esculhambação: o Brasil realmente não é um país sério, e é uma pena que não seja "Le Grand Charles" do lado de lá do balcão, mas um fanfarrão da mesma estirpe moral do nosso apedeuta.
É ingenuidade, penso, imaginar que um negócio de bilhões de dólares se resolve apenas com fundamentos técnicos. Claro que há política envolvida. Mas, no estado de indigência geral em nos encontramos, é um tipo de política mais afeta às delegacias de polícia do que aos salões governamentais. E não estou dizendo que é um "caso de polícia"...bom, é um caso de polícia, mas da nossa polícia tupiniquim, em que quase tudo se resolve em uma boa "conversa" na delegacia.
Na verdade, o Lula não adiantou o resultado da concorrência, ele simplesmente achacou os concorrentes (franceses incluídos) publicamente. O tom da coisa me lembrou um pouco aquela cena do Poderoso Chefão II em que o senador de Nevada tenta achacar o Michael Corleone - sendo que para o que ele queria nem seria necessário pagar propina.
No nosso caso, é mais complicado. Alguns dos acólitos do apedeuta já se apressaram a explicar que, por mais que seja proferida (e será, é pra isso que serve a concorrência instaurada pela FAB) uma decisão técnica, por especialistas, sobre qual dos aviões concorrentes é o mais adequado, a decisão final é "política". E quem profere a decisão política? Ele, o gangster-mor.
Então o recado dado no dia da independência foi: "quem pagar a maior propina, leva o contrato". É simples assim, e o vagabundo não se constrangeu de praticar o achaque em cadeia nacional de televisão - pelo contrário, era essa mesmo a idéia. Uma das desculpas, rapidamente deixadas de lado, é a de que os americanos e suecos não seriam tão "parceiros" para liberar a transferência de tecnologia, o que é uma grande mentira. A transferência de tecnologia já havia sido autorizada pelo senado dos EUA, e a informação não tem nada de secreta: em qualquer banca de jornal é fácil de encontrar a revista "Força Aérea", que circula a cada dois meses e tem notícias sobre o mercado de defesa. É escrita por especialistas em geopolítica, história militar, ex-militares etc., e é um dos melhores (senão único) jeitos de acompanhar as notícias sobre assuntos como essa concorrência. Há uns dois meses comprei a penúltima edição na banca do aeroporto de goiania, e li a entrevista com um alto executivo da Boeing acerca da concorrência, transferência de tecnologia etc. A proposta é tão boa quanto qualquer outra: abertura dos códigos-fonte dos softwares do avião, frabicação de partes e talvez até montagem final no Brasil e várias outras coisas das quais não lembro agora. Não havia qualquer restrição - e considerando o flerte constante do Brasil com Líbia, Cuba e outras ditaduras, é realmente de se admirar. No contexto, a oferta americana não é simplesmente um agrado comercial, mas ganha importância estratégica na medida em que eles sabem que, se não oferecerem o pacote completo, não apenas deixam de vender os aviões: perdem progressivamente a presença no Brasil, e o Brasil se aproxima cada vez mais de tiranias comunistas, islâmicas e, agora, da França, especialista em perder guerras por W.O.
Seja como for, me parece que ninguém (fora os integrantes do PT e a corte apedeuta, claro) discutiria que a escolha deve ser pelo melhor avião, e ponto final.
"Melhor" não apenas em termos absolutos, desses que se consulta em cartas de Super Trunfo, mas também mais adequado às necessidades do Brasil - e isso significa várias coisas. Deve ser um avião com boa autonomia, porque o país é grande; deve ser de manutenção simples, porque o país é pobre; deve ter uma capacidade razoável de ser empregado em vários tipos de missão, também porque o país é pobre; não basta comprarmos o avião: precisamos de peças de reposição, simuladores, armamento compatível, precisamos treinar pilotos e mecânicos, e conhecer profundamente a aeronave: para isso a transferência de tencologia é fundamental, porque se um computador de bordo ou radar dá problema, não dependemos do fornecedor para consertar. O avião mais adequado às necessidades do Brasil já foi rifado na primeira "pré-seleção", era o Sukhoi Su-35, avião de grande autonomia e carga bélica, apto a desempenhar vários tipos de missão e altamente manobrável. Não é um projeto tão novo quanto o do Rafale, mas comporta modernizações e, para que se tenha uma idéia, a Força Aérea Russa ainda os estará recebendo até 2015.
Dos que sobraram, o F-18 é o mais adequado, porque foi concebido para operações embarcadas, e é muito resistente, tendo o dobro da vida útil quando utilizado em pistas de pouso convencionais. Carrega o radar mais avançado e capaz da atualidade, e é uma plataforma verdadeiramente multi-missão, o que também é uma imposição do projeto. Quem encomendou o F-18 foi a marinha americana, que depois de muitos anos operando diversos tipos diferentes de avião para cada tipo de missão, percebeu que estaria condenada ao sucateamento se não racionalizasse a manutenção das aeronaves. A resposta intuitiva é a padronização: um tipo de avião para todas as missões, o que significa uma mesma prateleira de peças de reposição, um único tipo de combustível, o mesmo simulador etc. Além disso, o F-18 é testado em combate e produzido em larga escala, inclusive para outros consumidores além dos EUA.
O Rafale é produzido muito lentamente, porque só a França utiliza o avião, e é de fato uma aeronave avançada e capaz, mas que ainda não foi testada como o F-18. Além disso, é muito caro: custa quase o dobro do F-18, e também é mais caro que o Saab Gripen.
Por último, o avião que definitivamente não serve para a Força Aérea Brasileira, o Saab Gripen. É a primeira aeronave de "quarta geração", mas foi concebida tendo a defesa aérea da Suécia em mente - fronteiras muito mais próximas, extensões territoriais pequenas etc. O projeto é orientado para as necessidades suecas, e produzido de acordo com elas. Tem autonomia muito pequena, e a versão oferecida ao Brasil ainda nao está em produção.
Fica a pergunta: escolher esses aviões é uma decisão técnica ou política? Digamos que a Força Aérea conclua pelo F-18. Qual critério "político" ou "estratégico" recomendaria que o Presidente da República decidisse por outro concorrente? O apedeuta já disse que é uma "decisão política". Claro que, se for pressionado por algum jornalista mais chato, vai dizer que tem que valorizar a parceria com a França, que já estão fazendo vários negócios, que querem unir esforços, que somos "povos muito parecidos" (?!?!?!) e tudo mais. Mas isso não responde a uma pergunta: os aviões servem para defender o país de uma agressão. Embora ela pareça improvável agora, é sempre possível, e só convém abolir as forças armadas quando todos os outros países o fizerem. A pergunta é: se e quando o país for atacado, vamos defendê-lo com política ou com os aviões?
Não precisa ser bidu para saber a resposta. Se isso acontecer um dia, quero muito que seja quando o "uneducated marxist drunk" ainda esteja por aí, de preferência como presidente (ou, até lá, vá saber, ditador) para presenciar os efeitos de sua escolha "política". Parece bobagem, mas pense no seguinte: você vai instalar um sistema de alarmes na sua casa. Vai escolher qual: o melhor que tem ou aquele que seu amigo está vendendo, embora esse não seja tão bom? Isso, é claro, pensando honestamente.
No caso dos aviões é diferente. O apedeuta não é responsável só pela compra do alarme pra proteger ele, a esposa, as garrafas de cachaça e as latas de cigarrilhas: pra isso, tem alguém pra escolher por ele e nós para pagarmos a conta.
Ele tem é a chave do cofre e a falta de pudor no exercício de suas prerrogativas que o tornam exatamente igual a um delegado de polícia corrupto desses que grassam nas delegacias do Brasil. Ao deixar de ser técnico e passar a ser político, ele age igualzinho ao delegado sujo: não pela Lei, mas pela "política", que é, nesse caso, um eufemismo cansado para negociata - o que, admita-se, não é monopólio do PT; o partido simplesmente sistematizou a institucionalizou a prática sob a disfarce da revanche e da figura do "pobre-quando-come-melado-se-lambuza".
Enfim, o episódio todo só confirma a vocação nacional para a mediocridade e a esculhambação: o Brasil realmente não é um país sério, e é uma pena que não seja "Le Grand Charles" do lado de lá do balcão, mas um fanfarrão da mesma estirpe moral do nosso apedeuta.
domingo, 30 de agosto de 2009
War is a drug
Cada guerra tem sua safra de filmes, e a guerra que vigora no oriente médio não é diferente. Vários filmes e até séries da TV a cabo já foram feitos. Das séries, assisti "Over There", e me pareceu uma série bem-feita. Dos filmes, vi um só, "Stop Loss", que também me pareceu bom. Digo "pareceu" porque tendo um contato relativamente próximo com o que acontece lá, ao menos da perspectiva de um soldado (meu cunhado é soldado - ou melhor, sargento! - do exército dos EUA), gostando de assuntos de guerra e tendo lido blogs informativos e excelentemente escritos como o www.armyofdude.blogspot com (o texto é muito bom), tive acesso a algumas perspectivas que...er, põem os filmes em perspectiva.
Como qualquer filme. Seja como for,me peguei a pensar na resehna escrita sobre o filme "Hurt Locker" e a frase que acompanha o título, "war is a drug".
A explicação fala por si só. Os pessoas ficaram expostas a situações de vida-ou-morte que embora durassem 10 minutos pareciam durar 10 anos, ouvindo balas zunir a centímetoros de capacetes que deveriam garantir suas vidas, embora nenhum deles quisesse testar (ou qualquer outro clichê escrito a respeito de qualquer outro soldado em qualquer outra guerra). Obviamente sabem mais a respeito do que aparece no filme do qualquer um que não tenha estado lá.
E depois que voltam daquela "situaçã", ficam sentindo falta daquilo a que seus corpos e mentes estavam acostumados: a adrenalina de correr risco de morte, o coração " a milhão" em meio a um tiroteio, a visão de túnel naquele momento decisivo, focalizada em um único e palpitante ponto a uns 200m de distância.
Depois de voltar "ao mundo", como se acostumam com a ausência de tal mister diário? Tão diário quanto levantar da cama, tomar banho e bater o ponto em um emprego qualquer? Parece ser o mote do tal "Hurt Locker", e lança uma interessante questão: o cara doidão de guerra depende de decisções de estado pra conseguir o seu "fix". Qualquer fumador de pedra arruma uma pedra na esquina, a acaba morto quando a dívida cresce demais.
Como qualquer filme. Seja como for,me peguei a pensar na resehna escrita sobre o filme "Hurt Locker" e a frase que acompanha o título, "war is a drug".
A explicação fala por si só. Os pessoas ficaram expostas a situações de vida-ou-morte que embora durassem 10 minutos pareciam durar 10 anos, ouvindo balas zunir a centímetoros de capacetes que deveriam garantir suas vidas, embora nenhum deles quisesse testar (ou qualquer outro clichê escrito a respeito de qualquer outro soldado em qualquer outra guerra). Obviamente sabem mais a respeito do que aparece no filme do qualquer um que não tenha estado lá.
E depois que voltam daquela "situaçã", ficam sentindo falta daquilo a que seus corpos e mentes estavam acostumados: a adrenalina de correr risco de morte, o coração " a milhão" em meio a um tiroteio, a visão de túnel naquele momento decisivo, focalizada em um único e palpitante ponto a uns 200m de distância.
Depois de voltar "ao mundo", como se acostumam com a ausência de tal mister diário? Tão diário quanto levantar da cama, tomar banho e bater o ponto em um emprego qualquer? Parece ser o mote do tal "Hurt Locker", e lança uma interessante questão: o cara doidão de guerra depende de decisções de estado pra conseguir o seu "fix". Qualquer fumador de pedra arruma uma pedra na esquina, a acaba morto quando a dívida cresce demais.
terça-feira, 19 de maio de 2009
Brasileiro é condenado a 14 anos de prisão por assassinato na Áustria
http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u568485.shtml
O cara disse "ninguém nunca teve piedade de mim. Aprendi aqui a saber o que é isso, mas naquele momento não tive esse sentimento" quando lhe perguntaram se não sentiu piedade da velhinha de 75 anos que ele matou depois de roubar 90 contos.
E o lance qual é, o cara falou isso de graça no tribunal ou é o caso das pessoas começarem a ter mais piedade umas das outras pra que não hajam outras pessoas sem piedade (porque ninguem nunca teve com elas)a fazer essas coisas por aí? Ou isso aí é uma cena de filme na qual o cara vai roubar alguém e tem um acesso de fúria cujas origens são explicadas na trama, antes da cena em questão?
O cara disse "ninguém nunca teve piedade de mim. Aprendi aqui a saber o que é isso, mas naquele momento não tive esse sentimento" quando lhe perguntaram se não sentiu piedade da velhinha de 75 anos que ele matou depois de roubar 90 contos.
E o lance qual é, o cara falou isso de graça no tribunal ou é o caso das pessoas começarem a ter mais piedade umas das outras pra que não hajam outras pessoas sem piedade (porque ninguem nunca teve com elas)a fazer essas coisas por aí? Ou isso aí é uma cena de filme na qual o cara vai roubar alguém e tem um acesso de fúria cujas origens são explicadas na trama, antes da cena em questão?
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